
Desde pequena eu ouvi muito “colhemos o que plantamos”, e meus pais inclusive sempre brincaram muito com o fato de que sempre que eu ouvia uma briga eu falava “quem planta limões, colhe limões!”. O engraçado é que eu passei muito tempo sem ouvir essa frase, até hoje. Parece que muitas pessoas esquecem-se de praticar isso. Ou simplesmente aderem a “fazer uma caipirinha” quando a vida te dá um limão. Esquecem que isso às vezes acontece porque você MERECEU o limão. Porque você plantou as sementes e regou o limoeiro até crescer. E nesse caso meu bem, se você fizer uma limonada ou uma caipirinha, não vai adiantar, você vai tomar sozinho/a.
Trocar a minha idade na barra lateral pela terceira vez desde que comecei esse tumblr não me fez crescer. Vejo muita gente que entra ano, sai ano, continua a mesma coisa, com as mesmas atitudes, mesmos pensamentos e mesma mente fechada. Mas também vi transformações impressionantes. Vi gente que se afundava nas drogas achando o caminho de volta e recuperando a vida, de várias maneiras diferentes. Só que também vi o contrário acontecer. Vi amigos meus perdendo amigos pra sempre, que foram tirados desse mundo e enviados a outro. Tive sorte de isso não ter acontecido comigo.
Crescemos quando paramos de plantar limões e quando paramos de regar os limoeiros já existentes. Não precisamos derrubar as árvores, um azedinho às vezes é bom para lembrarmos-nos dos doces.
Queria deixar um conselho, de experiência própria, alguns na verdade:
Se você sofreu ou sofre no ensino médio, aguente. Quando você entrar na faculdade você vai ver que as pessoas se importam muito menos com coisas superficiais, afinal, elas já cresceram, e se sua vez não chegou, essa é a hora que vai chegar. A diferença entre os comportamentos é assombrosa, especialmente em federais e públicas.
Se você, como eu, tem ou tinha mania de ser grossa com desconhecidos, trata as pessoas mal sem querer, ou até por falta de paciência, pare. Seja gentil, seja sociável, seja alegre. Isso vai abrir um número muito grande de portas na sua vida. As pessoas que eu mais amo e mais amei eu conheci em situações absurdas que não teriam existido se eu não tivesse um comportamento sociável, ou em outras épocas.
Pensem MUITO bem antes de decepcionarem alguém que gosta de verdade de vocês. Muitas vezes a decepção é tão grande que você não tem chance de consertar, não importa o quanto você mude. Às vezes o que sobra é só a experiência pra melhorar na próxima, com outras pessoas. E às vezes, o que você queria era a pessoa que você decepcionou no começo de tudo.
Ósculos e amplexos. ?
Antes de tudo, vou agradecer pelas mais de 6000 visitas, mesmo eu estando totalmente ausente. Sério, obrigada mesmo. Esse número cresceu rápido considerando a falta de posts e etc.
Eu tinha prometido voltar com mais notícias sobre a faculdade, e acabei não voltando. Então vou começar falando sobre isso: meu curso não teve trotes violentos, o pessoal “não tem” apelidos desagradáveis, os veteranos são uns amores e sempre dispostos a ajudar os bixos/bixetes. As festas acontecem quase todas de quinta feira, e portanto eu não posso ir, por ainda morar com papai/mamãe, apesar de ter feito 18 anos. Pois é, já posso ser presa. Não, ainda não fiz nada ilegal.
O que eu tenho pra falar hoje tem muito a ver com a faculdade na verdade. Eu percebi que eu cresci. Não quando eu saí do ensino médio. Não quando eu fiz 18 anos. Não quando me disseram que eu teria que crescer porque entrei na faculdade. Cresci quando um surto de realidade aconteceu e eu percebi que estava na faculdade. Cresci com a primeira prova de física. Cresci quando percebi que teria novas responsabilidades, novos objetivos que dessa vez influenciariam MUITO na minha vida profissional.
Pra falar a verdade, só tive três surtos de crescimento mental na vida. O primeiro, quando tinha 13 anos e fui atropelada, e tive que lidar com muito mais coisa do que eu conseguia, ou do que qualquer pessoa naquela idade conseguiria. O segundo quando percebi que estava na universidade. E o terceiro quando revi na minha mente, e no papel, muitos dos meus erros ao passar dos anos.
O primeiro não merece ser mencionado por vários motivos. O segundo aconteceu recentemente, quando eu vi que meu hábito de protelação e procrastinação (que eu estou exercitando nesse exato momento) seriam um sério problema. Minha desorganização perdeu o espaço na minha vida e na minha rotina. Meu problema com horários e prazos precisou de uma atenção especial. Passar o dia todo na faculdade, das 8 da manhã às 6 da tarde, ou muitas vezes 9 da noite, faz isso com uma pessoa.
O terceiro é o maior problema. Foi meu crescimento emocional, que eu na verdade percebi desde o começo desse ano. Hoje eu olho pra trás, anos atrás, e me pergunto como eu pude dar tanto valor a coisas que hoje realmente não fariam diferença. Muita coisa que eu faria diferente. Muitos erros que eu não teria cometido. Todos os seus tios, avós, familiares e outros mais velhos em geral estavam certos quando disseram que é melhor se arrepender de ter feito do que ir dormir com vontade. E sabem por quê? Fazer e se arrepender passa em alguns dias, depois você nem lembra mais. Dormir com vontade vai deixar na sua cabeça um enorme e insuportável “E SE?” que, acreditem, vai durar por anos. Especialmente se envolver o primeiro tipo de arrependimento. Ir dormir arrependido por não ter feito alguma coisa se torna VIVER arrependido. E quando isso martela na sua cabeça, quando isso afeta seu futuro, não existe sensação pior.
E essa foi a parte 1.
Ósculos e amplexos. ?
Pois é… apareci! Faz tanto tempo e tenho tanta coisa pra compartilhar que já aviso que esse post vai ser longo, mas vou dividir em dois, pra facilitar a vida de vocês.
Se você vem aqui de vez em quando, já percebeu que eu alterei meu perfil. É isso mesmo, essa já é a terceira semana que eu estou frequentando a faculdade. Aliás, não só uma faculdade. Estou fazendo Farmácia na UNICAMP!
Vamos começar do começo. Eu não queria prestar Unicamp. Na verdade, eu não queria ter prestado vestibular nenhum, não queria entrar com 17 anos, porque eu queria USP, e passar no vestibular significaria mudar de cidade e depender de carona, ônibus, metrô, táxi e o bom e velho RG falso/alheio. Mas, prestei as duas por pressão e porque fui de certa forma obrigada. Assim como tive que fazer o ENEM, que na verdade não era obrigatório pra mim e não serviu pra nada.
Aliás, mentira que o meu enem não serviu pra nada. Mesmo que minhas notas tenham sido patéticas (exceto talvez em matematica, que não fez o menor sentido, considerando que eu só errei uma questão) eu teria passado na quarta chamada da Unifesp em Farmácia-Bioquímica. Poooorém, eu não confirmei o interesse de vaga, até porque eu não tinha interesse na vaga. Coloquei no Sisu por pura diversão.
Prestei Usp, tentei “de verdade”, naquele bonito esquema “nunca abri um livro na vida” que eu tive durante a vida toda, como o esquema já diz. Não passei. Aliás, fiquei bem longe, e apesar de serem 75 vagas, a lista rodou extremamente pouco. Já na Unicamp, eu zerei uma das três redações, deixei questões em branco de propósito na segunda fase pra sair mais cedo, e por algum milagre, de 40 vagas, eu que fiquei na posição 141, passei. Podem falar o que quiserem, passou na quinta chamada, não foi na primeira, passou longe bla bla bla. O fato é: eu passei e a maioria de vocês não, me chupem.
Alguns dias de sair a quinta lista, eu já sabia que estaria na próxima. O problema é: eu não estava animada. Na verdade, tudo o que eu pensei foi: “já era, não tem mais nenhuma chance de eu estudar em casa um ano e tentar usp”. E adivinhem, eu acertei. Quando saiu o meu nome na lista, mostrei pra minha mãe, e por algum motivo, ela também não ficou animada, ela olhou pra mim e disse “parabéns, mas não era isso que você queria né?”. Eu fui trabalhar no dia e quando voltei pra casa, contei pro meu pai (na verdade, o induzi a ver a lista, mas isso não importa). A reação dele foi BEM diferente. Ele ficou muito feliz, me abraçou, me beijou, chorou, ligou pra pelo menos duas dúzias de pessoas… E numa coisa os dois concordaram: queriam colocar uma faixa na frente da minha casa. Não gente, eu não deixei.
Não deixei por dois motivos. Primeiro, não gosto desse tipo de coisa. Se eu tivesse passado em primeiro lugar, ou algo do tipo, tudo bem, mas não foi nem perto disso. Segundo, eu não estava me sentindo orgulhosa de ter passado. Aliás, eu nem estava comemorando. Acho que se eu tivesse me esforçado pra isso um dia sequer, eu estaria pulando de alegria, mas não foi assim. Chegou num ponto que eu me senti mal por não ter ficado animada. Mas tudo bem, a animação começou no dia seguinte.
Então começou a correria. Dois dias pra correr atrás de todos os documentos pra poder fazer a matrícula. Ir no colégio pegar o histório, tirar cópia de uma cambada de documentos… Enfim, caos. E pra piorar, a matrícula era na manhã do dia do casamento dos meus pais (Sim, os fofuxos se casaram oficialmente depois de quase 30 anos juntos). Mas deu tudo certo. Admito que senti um pouco falta do trote, não de receber trote, mas daquele clima de gente ficando careca e ganhando queimaduras de sol que vão deixar manchas onde foi pintado.
Bom, é isso. Como foi depois que eu comecei a faculdade vai ficar pra outro dia… Sabem como é, deveres chamam!
Ósculos e amplexos. ?